
Relato de caso
Paciente de 52 anos de idade, sexo masculino, admitido em nosso serviço para investigação de volumosa lesão expansiva temporal esquerda, evidenciada em tomografia do crânio sem contraste de outro local, com queixa de desequilíbrio há doze meses e hipoacusia progressiva de longa data à esquerda.
Ao exame neurológico, apresentava-se orientado, com períodos de alteração da marcha e do equilíbrio com queda para esquerda (sinal de Romberg) e paralisia facial periférica deste lado. Não tinha déficits motores.
TC de crânio sem contraste

Figura1: Lesão expansiva temporal esquerda, predominantemente hipodensa, com halo espontaneamente denso e fina septação no seu interior, medindo cerca de 7,6 x 4,4 cm nos maiores eixos axiais, com sinais de remodelamento ósseo no ápice petroso e na topografia do ouvido interno, com erosão do conduto auditivo interno.
Rangel de Sousa Costa
Orientação: Nina Ventura

RM de Crânio

Figura 2: Lesão expansiva extra-axial temporal esquerda, com hipersinal em T1 sem e com supressão de gordura, sugestivo de conteúdo hemático/alto teor proteico, com cápsula periférica e septação interna de baixo sinal no T2*, sugerindo sangramento, sem restrição a difusão e com realce capsular septado.

Figura 3: A lesão provoca deiscência da cóclea e erosão do CAI esquerdo. Imagem ponderada em T1 no plano coronal pós-gadolínio, mostrando a íntima relação da lesão com a arteria meningea media (AMM) esquerda. Notar ainda o curso normal da AMM no forame espinhoso .
Arteriografia

Figura 4: Arteriografia digital com subtração (ADS) demonstra perviedade dos ramos principais das AMMs bilateralmente.
Relato de caso
O paciente foi submetido a procedimento cirúrgico eletivo, sendo ressecada volumosa lesão extra axial, endurecida, de cor violácea escurecida, em contiguidade com ramo secundário da artéria meníngea média esquerda, dissecada no intraoperatório.

Aspectos relevantes
Os aneurismas da artéria meningea média são raros. Frequentemente, são de origem pós-traumática (pseudoaneurisma) ou secundária a alterações hemodinâmicas induzidas por patologias de base (aneurisma verdadeiro).
O tratamento cirúrgico é indicado a ambos pelo risco de ruptura e formação de hematoma intradural, podendo ser realizado por via endovascular ou cirúrgico.
Uma apresentação aneurismática volumosa e trombosada da AMM, sem histórico traumático é incomum.

Referências
1. Yu J, Guo Y, Xu B and Xu K. Clinical importance of the middle meningeal artery: A review of the literature. Int. J Med Sci. 2016; 13(10):790-799.
2. Kpelao E, Beketi KA, Ahanogbe KMH, et al. Middle meningeal artery aneurysm: Case report. Surg Neurol Int. 2017; 8:172.
3. New PF. True aneurysm of the middle meningeal artery. Clin Radiol. 1965; 16: 236-40.
4. Hassler O. Defeitos mediais nas artérias meníngeas. J Neurosurg. 1962; 19: 337-40



